Há alguns dias conversava com um amigo diretor de jornal sobre a importância estratégica das ações de suporte tecnológico para o desenvolvimento de planos de médio e longo prazo na gerência de cidades. E acordamos sobre a relevância inexorável da Tecnologia para a administração pública municipal e o quanto dependemos dela para um serviço público eficiente como deve ser.
Imediatamente após a nossa conclusão, saltitaram em minha mente inúmeros exemplos de aplicações de T.I. que hoje não temos, e já deveríamos estar usando, por sua importância e pela facilidade técnica de implantação.
Coleta e disponibilização de informações operacionais, georreferenciamento (Cadastro Técnico Georreferenciado), gestão do conhecimento, fiscalização eletrônica, monitoramento de patrimônio público e E-Learning são apenas algumas as áreas e possibilidades em que a tecnologia com certeza pode influir diretamente e positivamente no resultado das ações públicas.
A eminente professora Rebecca Hendrick (http://cuppa-pa.uic.edu/the-department/faculty/dr-hendrick/), da Universidade de Illinois, em Chicago, Estados Unidos, em seus estudos já nos fornecia, no ano de 1994, importantes constatações quando afirmava que os governos em geral teriam pouca informação sobre o que são suas atividades, quais os impactos que elas teriam e quais as atividades que funcionariam com mais ou menos eficácia. Dessa forma ficaria prejudicada a resposta aos seus clientes e constituintes (…). Ou seja, se o governo não sabe como seus programas estão funcionando ou quais os impactos de seus programas, então a probabilidade de alcançar qualquer objetivo torna-se menor. Propunha a autora ainda que o gerenciamento e o desenvolvimento de sistemas e recursos de informação tivessem um lugar central no campo da gestão pública moderna, posto que os Sistemas de Informação têm se tornado parte integrante de muitas das funções fundamentais de organizações públicas.
A seguir cito alguns exemplos de uso inovador de tecnologia na Administração Pública:
– Gabinete Digital, lançado em 2014, onde são feitas perguntas que são submetidas a uma votação; a pergunta mais votada é respondida pelo prefeito em um vídeo. Além disso, nesse espaço incentiva-se a divulgação, nas redes sociais, de consultas feitas pela população (http://gabinetedigital.rs.gov.br/);
– A cidade de Glendale na Califórnia, EUA, implantou uma plataforma para aumentar o engajamento dos cidadãos, sendo que este pode solicitar um serviço público através de um aplicativo de smartphone que permite ao munícipe reportar um problema, como um buraco no asfalto, tirar um foto, categorizá-lo e enviar a notificação para o governo local juntamente com a localização exata deste. O cidadão pode visualizar no mapa todos os incidentes relatados na cidade e se estes foram resolvidos. Dessa forma é garantida a colaboração e a transparência entre governo e cidadão.
-PróCidadão, da prefeitura de Florianópolis, onde foi possível promover a integração entre os serviços prestados pelas diversas unidades administrativas, de forma a possibilitar a implementação do modelo one stop shop (todos os serviços em um só lugar) e a maior resolutividade para o cidadão; melhoraando a acessibilidade dos cidadãos aos serviços, através de canais convenientes e que atendem as suas necessidades; realizando a integração e gestão dos canais de contato com os cidadãos, permitindo que este, por exemplo, faça uma solicitação pela web, consulte a situação do processo por telefone e receba sua resposta por e-mail, obtendo sempre o mesmo nível de serviço (modelo “multi-canal”).
E por aí vai. Bem legal não? São exemplos práticos e em funcionamento. Agora imaginemos daqui a 10 anos de uso, o quanto de informação estratégica essas ações de tecnologia vão disponibilizar para a tomada de decisão dos gestores públicos.
A informação é certamente um recurso estratégico e não só operacional e cabe essencialmente aos cidadãos, através de seus representantes, gerenciá-la para o benefício do bem comum. Nos últimos anos, graças ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicações e a facilidade de acesso a essas tecnologias, o usuário da tecnologia tem se tornado cada vez mais qualificado e equipado. Assim, é altamente previsível que um número cada vez maior de cidadãos assuma uma visão mais crítica dos Sistemas de Informações sob os quais sofre influência, cobrando melhores resultados mais ativamente e, porque não, participando mais diretamente do direcionamento tecnológico dos órgãos públicos municipais.
